Entre o lançamento do Pre, último aparelho da Palm, e a venda da empresa, foram 11 meses; o BlackBerry Torch também pode ser o canto do cisne da RIM.
Por PC World/US
A Research In Motion (RIM) revelou, nesta semana, e com grande alarde, o BlackBerry Torch 9800. O novo smartphone, no entanto, foi recebido friamente pela crítica e não causou grande repercussão – o que fez lembrar o Palm Pre, o canto do cisne da Palm, adquirida pouco tempo depois pela HP.
A RIM colocou muita expectativa sobre o aparelho, que, supostamente, serviria para atualizar a sua linha de celulares, e competiria de igual pra igual com os lançamentos das outras empresas. O objetivo era embarcar no dispositivo o que de melhor a geração pós-iPhone trouxe e ainda manter toda a estabilidade e confiabilidade característica da marca – o teclado físico, por exemplo, continua lá – dando aos clientes, tanto os domésticos quanto os corporativos, motivos para se manterem fiéis à líder do mercado global de smartphones.
De fato, essa nova geração de celulares da RIM é capaz de competir com o iPhone, mas só com os da primeira versão. Atualmente, tanto o iPhone 4 quanto o Droid X, da Motorola, têm hardware muito superior ao Torch 9800, e a loja virtual para BlackBerry é muito inferior aos aplicativos que a Apple e a Google dispõem para seus dispositivos.
A julgar pelas crítica iniciais, o novo smartphone não será um competidor de peso para os produtos mais avançados do mercado. Ainda assim, pode obter sucesso, pois muitos clientes corporativos do BlackBerry estão presos ao modelo e ao seu sistema. Dos males, o menor: escolhem o que há de mais tecnológico na linha, mesmo que inferior aos das empresas rivais.
Futuro incerto
Ao se observar as dificuldades que a RIM vem enfrentando nas áreas de segurança e privacidade em países como Emirados Árabes, Índia e Arábia Saudita, além do descaso imposto pela Comissão Europeia – que preferiu as plataformas da Apple e da HTC para oferecer aos seus funcionários – o futuro da empresa não parece tão animador.
Ao se observar as dificuldades que a RIM vem enfrentando nas áreas de segurança e privacidade em países como Emirados Árabes, Índia e Arábia Saudita, além do descaso imposto pela Comissão Europeia – que preferiu as plataformas da Apple e da HTC para oferecer aos seus funcionários – o futuro da empresa não parece tão animador.
Pode ser uma simples questão de tempo para que a RIM tenha o mesmo fim da Palm e chegue a um beco sem saída. A Apple e a Google já possuem melhores smartphones e softwares para tablets, mas há um competidor que ficaria bem interessado em comprar a empresa dona do BlackBerry: a Microsoft.
Ela pode se tornar uma New York Yankees (time de beisebol) dos smartphones, gastando grandes quantias de capital para compensar a falta de talento em casa para trilhar o caminho rumo ao topo. Adquirir a RIM e incorporar sua propriedade intelectual permitiria à Microsoft um grande salto, aproximando-se das plataforma concorrentes como o iPhone e o Android.
As críticas recentes com relação ao Windows Phone 7sugerem que um novo tipo de smartphone está chegando, mesmo sem a ajuda dos recursos que a RIM teria a oferecer. Mas, se a Microsoft deseja estabelecer a plataforma no mercado corporativo, as funcionalidades do BlackBerry poderiam se tornar algo decisivo. Finalmente, ela conseguiria o domínio sobre os dispositivos móveis das empresas, assim como já o tem nos computadores.
Entre o lançamento do Palm Pre – apelidado de “iPhone killer” (matador de iPhone) – e a venda da Palm à HP, foram necessários 11 meses. E a RIM, como estará daqui a um ano?
(Tony Bradley)

